Minha querida Eliane
Você não só faz parte da minha revolução pessoal desde o dia em que te vi pela primeira vez, como faz parte de minha vida. Isto é fato.
Acredite: Você é minha maior revolução pessoal!
Então, sua frase em seu último e-mail já começa com uma falácia.
A solidão é um veneno que me corrói a cada segundo que passo longe de você. O tal caminho solitário a que você se refere me trouxe até aqui. Foram esses longos anos em que estivemos afastados um do outro. Foi todo esse tempo que procurei ficar perto dos meus filhos; vivi em São Paulo; trabalhei; perdi trabalhos; me sacanearam; me levantei; quase morri; fui sequestrado; fui humilhado; me reergui. E descobri que não posso culpar a ninguém por todos os meus fracassos, só a mim mesmo.
Solidão é não ter ninguém ao seu lado para te dar coragem, força e carinho; acreditar e confiar em você; sendo positivo! Solidão é não ter sua ànima a seu lado e assim não aprender com sua presença, não poder lhe dar coragem, carinho e atenção.
Perdi as forças! Fiquei atônito. Minhas reações começaram a ficar fora de ordem. Passei a não ter mais foco. Culpava os outros pelos meus fracassos. Isto sim é solidão.
Você é meu sol vermelho. Precisava de sua luz ou não conseguiria sentir mais prazer pela vida. Passei a não ter mais prazer por nada. Procurava desesperadamente outras que fossem a sua imagem e semelhança. Acho que não existem…
Não me sentia inteiro para te procurar. Estava completamente desconstruído. Em mil pedaços. Esse era o caminho da solidão! Não consegui fugir disso.
Queria perdir-lhe perdão por ter sido tão incompetente. Queria que você me pedisse perdão por ter sido tão incompetente.
Nós somos um, então porque não somos um agora? Porque não somos um há mais tempo? Você se lembra? Quantas vezes você me rechaçou quando estávamos juntos? Quantas vezes eu lutei para continuar a vê-la… para ficar ao seu lado. Eu era muito burro. Acho que não entendia esse vulcão chamado Eliane. Eu tinha tanto medo de te perder que, muitas vezes, ficava sem palavras, sem ação. Lembra que eu sempre te pedia para você me ensinar? E quantas vezes você silenciava…
Mesmo assim vivemos intensamente. Você foi a pessoa que melhor se desenhou dentro de mim. Você lia meus pensamentos; eu, os seus! Assim criávamos.
Não posso culpar a ninguém pelos meus fracassos; só a mim mesmo. Você acha que eu vou chegar numa agência ou numa multinacional e o diretor de arte vai falar pra mim: “Oh! Era exatamente você quem a gente estava querendo contratar!” Claro que não! Ora… se eu não conseguia trabalho ou se os serviços que oferecia não eram contratados, alguma coisa estava errada. Não tem jeito. Não adianta reclamar que este ou aquele “cliente” não te ofereceu serviço. Se não se consegue nada, algo está errado. E talvez, de tanto repetir o erro, não se enxergue onde ele está. Então, que tal mudar o ângulo para enxergar o problema de outro modo? Será que o problema não é o foco?
Meus fracassos também têm a ver com quem estava do meu lado. Ora… se há algo errado, será que o outro não conseguia enxergar? Mas, os meus fracassos são meus e só eu posso mudar minha história. Mudei o ângulo… era tão óbvio.
Agora, tudo o que peço é: quero voltar a sorrir. Quero voltar a ser feliz.
Quanto tempo de vida ainda me resta? Estou falando VIDA!
Vida é aquele negócio que você consegue gerenciar sem que outros precisem te ajudar a cada instante.
Então, quanto tempo de vida ainda me resta? 10 anos? 15? Quero passar esse resto de tempo ao lado de alguém que queira viver também! Ao lado de alguém que descubra que o rancor não leva a nada! Alguém que queira crescer; criar; conversar; ver o por do Sol sem ser piegas, trabalhar, sorrir, viajar. É possível?
Você já pensou nisso? Quanto tempo de vida ainda nos resta?
V-I-D-A! A-M-O-R!
Vale a pena viver mais algum segundo remoendo amarguras? Não perdoando (seja lá o que for para perdoar)? Alimentando a raiva? Vale a pena perder sequer um segundo com pensamentos negativos? Hoje eu escolhi V-I-V-E-R!
Queria te carregar no colo; te fazer carinho. Mas não posso: você não quer. Pelo menos agora você não quer. Ou talvez pense que não quer. Ou talvez nunca tenha pensado em querer. Eu não sei; eu só sinto que talvez você queira, mas não consegue dizer sim. Que pretensão a minha! Talvez você só esteja dizendo: “estou bem, obrigada!” Se bem que você não parecia bem quando nos falamos pelo telefone pela primeira vez (depois de tanto tempo). Queria até se mudar “para um quartinho”.
Eu só sei que eu continuo apaixonado! Mas isso não é nenhuma novidade…
Quero fazer coisas. Como sempre quis. Isso não é nenhuma novidade…
Tem tanto ainda para ser feito!!! Tantas idéias, tantos projetos! Porque perder tempo então?
Talvez seja melhor parar o mundo e meditar…
Às vezes fico angustiado; às vezes fico ansioso. São tantas as possibilidades e minha musa não está ao meu lado. Sim… existem musas! Elas são as deusas da inspiração. Você é uma delas. É a que me inspira, mas está muito tempo longe de mim. Minha criatividade se esvai. Sei que há caminhos, mas fico meio perdido sem minha deusa!
Agora estou divagando…
Sua voz, na última vez que falamos, era de raiva. Era de raiva? Era de irritação, incômodo… Era? Não posso fazer muito mais longe de você. Posso tentar te ajudar… mas você escreveu que era difícil voltar a ser minha amiga. Imagine! Que absurdo! Você é muito mais; sempre será! Você é a goibada do meu romeu-e-julieta! Não fique com raiva de mim, por favor! Não fique mais longe de mim. Aceite o que passamos pois não podemos mudar o que vivemos até agora! Vamos então reescrever nosso futuro. O futuro estava escrito de outra maneira, mas nós podemos reescrevê-lo.
Esta semana estarei no Rio. Fique comigo um dia e vamos brigar se você quiser. E, depois, vamos fazer as pazes aos poucos. Não se irrite mais. Não me deixe sentado à beira de um caminho. A solidão está indo embora e não sinto mais saudades dela.
Me ame.
Se possível.














